Ondine @ 23:50

Dom, 06/05/12

não! não abrandes as tuas chamas,

aquece meu coração dormente,

Volúpia, tortura das entranhas,

concede o que pede teu crente!

 

Deusa que no ar ambiente se respira,

única chama do nosso inconsciente,

atende uma alma depressiva

que te consagra um canto veemente.

 

Volúpia, sê sempre minha rainha,

põe tua máscara de sereia

feita de corpo e de veludo,

 

ou concede-me um sono mudo

no vinho místico e imprevisível,

ó Volúpia, sem limites e invisível!

Charles Baudelaire




Ondine @ 18:02

Ter, 01/05/12

Embora me abrigue da chuva

Sob uma árvore quebrada,

A minha cadeira era a mais próxima do fogo

Em todas as reuniões

Onde se falasse de amor ou política,

Antes de o Tempo me ter transfigurado.

 

Embora os jovens ergam de novo barricadas

Para uma conspiração

E desvairados tratantes gritem a sua vontade

Contra a humana tirania,

As minhas meditações pertencem ao Tempo

Que me tem transfigurado.

 

Não há mulher que volte o rosto

Para uma árvore quebrada

E, todavia, as belezas que amei

Conservo-as na minha memória;

Cuspo no rosto do Tempo

Que me tem transfigurado.

W. B. Yeats




Ondine @ 16:09

Qua, 25/04/12

o meu nome é Elsfínide. brinco por entre as brumas com os meus cabelos feitos de pedra, e a minha voz poeirenta. transformo homens em esmeraldas, e como sardas espalhadas pela pele de mulheres ruivas. salto de colina em colina, e danço como nevoeiro, quando caio toda a aldeia sente os meus três sopros, e as crianças escondem-se por entre os felpudos cobertores que lhes adornam a cama. o anoitecer é meu, tal como a manhã, porque sou o desconhecido, o febril e distorcido. descansando sobre a humidade das flores, só quem não quer me pode tocar. porque quando desperto, o mundo adormece.




Ondine @ 14:23

Qua, 25/04/12

não escrevo poemas. nem nunca fui uma pessoa sorridente. esgar e arreganhar os cantos da boca, isso até pode ser do meu agrado, mas um sorriso aberto é coisa que raramente faço e a maior parte das vezes é porque serve de desculpa para não falar. de falar então ainda gosto menos. e está na escrita o meu verdadeiro falar, escrevo como falo e se não parecer é porque tenho um falar muito cuidado. não tenho cuidado a falar e para ser ainda mais confuso tenho sim, cuidado ao não falar.

os verdadeiros escritores escrevem livros, eu vou escrevendo coisas pequeninas que não fazem sentido, mas até um beco sem saída tem sentido. é uma questão de recuar.

por vezes escrevo porque estou zangada. outras porque tenho muitas mazelas. escrevo quando estou melancólica, quando estou aborrecida, quando tenho inveja e quando tenho uma epifania. nunca escrevo quando estou feliz.. qual é o sentido?

os poemas cheiram a alfazema. até quando os impregnamos com a noite, os semáforos, as mulheres bonitas, as figuras solitárias, cigarros, sangue, punhais, batom, lençóis, quartos de hotel, cafés, varandas, ruas, silêncio, mais cigarros, fumo, vermelho, jazz, amantes, velhos, morte, croissants, máquinas de escrever, paris, cigarros, sexo, ardor, cigarros, nevoeiro, parques, cidades, cadeiras vazias, lama, cigarros. muito se escreve sobre cigarros e nem isso me faz sorrir. recuso-me a escrever poemas.




Ondine @ 05:39

Ter, 24/04/12

Everything with me is either worship and passion or pity and understanding. I hate rarely, though when I hate, I hate murderously. But I am much more preoccupied with loving.



































2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


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